Vivência remota marca produção dos grupos culturais

A ideia de que o meio é a mensagem defendida pelo filósofo Marshall McLuhan na década de 1960 nunca esteve tão atual e evidente. Com a ausência física da plateia e diante da impossibilidade de executar ensaios e reunir, presencialmente, os alunos matriculados nas oficinas culturais da universidade, os grupos de criação da Coordenação de Arte e Cultura vivenciam um novo desafio neste momento de pandemia. Neste ano, a experiência remota entrou literalmente em cena e as novas tecnologias são utilizadas para provar que o espetáculo pode e deve continuar.

Ensaios, reuniões e trocas criativas ocorrem por meio de plataformas de videoconferência e o audiovisual tem sido uma ferramenta em potencial para possibilitar o acesso das pessoas às diversas expressões artísticas.

De acordo com a coordenadora de Arte e Cultura da PUC, Goiás, Beth Barros, quatro linguagens artísticas foram trabalhadas neste semestre juntamente aos alunos matriculados nas oficinas e com os grupos de criação da CAC: dança, teatro, canto e arte circense. Essas modalidades continuaram a ser ministradas, só que de uma maneira diferente.

Para o maestro Carlos Vitorino, regente do Coral PUC Goiás, os últimos meses foram de intensa aprendizagem. Além de coordenar ensaios de forma remota, o maestro vivenciou uma experiência inédita em seus 25 anos de trajetória na instituição. Foi preciso sair do modo analógico e dominar a técnica dos softwares de áudio e vídeo para dar continuidade ao trabalho que, até então, acontecia de forma presencial. Ele avalia que todos ganharam com essa experiência, já que os participantes passaram a se escutar mais e, com isso, melhorar sua técnica vocal.

Para a dança, o desafio de fazer arte de forma remota também não foi diferente. A coreógrafa Kátia Cedro conta que o aplicativo Zoom foi a solução para substituir os ensaios presenciais , que ocorrem agora diariamente, porém a distância. “A vivência remota foi uma possibilidade para não perder o processo que havíamos começado. Continuar com os ensaios também é uma forma de diminuir o baque do retorno, porque o corpo sente falta do movimento”, analisa.

Já outros grupos precisaram reinventar-se, já que a concepção mais genuína do teatro, considerando sua força conceitual criada na Grécia Antiga, está ligada à interação com o público e à ocupação do palco. Recém-recuperado da Covid-19, o diretor Danilo Alencar afirma que este foi o ano mais fecundo para sua produção artística. “É uma produção artística muito próxima do que vem a ser o cinema”, reflete.

Entre as diversas obras escritas e executadas por ele, entre peças, websérie e músicas, ganha destaque o espetáculo Travesseiro, encenado pela atriz Marília Ribeiro e recentemente gravado no Teatro Goiânia. Um fato curioso é que todo o seu processo de criação e produção foi realizado de forma remota, por meio de constantes diálogos com a atriz pelo Whatsapp.

Os mesmos desafios foram vivenciados pela equipe de arte circense. Para o arte-educador, Marcus Vinícius Correia, o trabalho em equipe foi essencial para a produção dos vídeos, que são partilhados com os alunos e com o público. Como o circo tem interface com outras manifestações artísticas, muito de sua produção está ligada com o trabalho realizado pela dança e pelo teatro, linguagens que ajudam na preparação do corpo para os treinamentos funcionais ministrados por ele.

Todas essas experiências serão partilhadas com o público durante a 11ª Semana de Arte e Cultura, evento on-line que será exibido pelo canal oficial da universidade no Youtube nos dias 14, 15 e 16 do próximo mês. A Semana também marca o encerramento das oficinas da CAC e da vivência artística remota neste ano de 2020.

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