Roda de conversa sobre educação popular movimenta universidade

Uma roda de conversa sobre Educação Popular e Direitos Humanos pautou as atividades na Escola de Formação de Professores e Humanidades (Área 6) nesta quarta-feira, 30, com a participação do corpo docente e discente do curso de Pedagogia da PUC Goiás, membros do Circo Lahetô, Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Comissão Pastoral da Terra (CMT), Comitê de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino e UFG. Concomitante ao debate sobre o tema, os participantes apreciaram uma exposição fotográfica com imagens de Douglas Mansur, em homenagem aos 90 anos do bispo emérito de São Félix do Araguaia, dom Pedro Casaldáliga.

Docente da Faculdade de Educação da UFG, o prof. Jadir de Morais Pessoa fez uma reflexão conceitual e histórica sobre a Educação Popular no Brasil, que teve seu nascedouro na década de 60 do século XX, com a criação do método Paulo Freire e diversos movimentos sociais e de cultura popular que se espalharam pelo País.

“Foi um período de muita fertilidade do ponto de vista político, formativo e de envolvimento com as questões brasileiras. A educação popular é acreditar coletivamente em um mundo diferente e ela pode passar por dentro da escola também, mas com ou sem ela, o povo quer entender o que está a sua volta. Ela representa o anseio por elevar a consciência política, social e solidária das pessoas”, refletiu o professor.

De olho nesse foco, a coordenadora do curso de Pedagogia da PUC Goiás, profa. Janaína Cristina de Jesus destacou que o projeto pedagógico do curso tem a educação popular em um dos seus pilares e, por isso, envolveu a Escola de Formação de Professores e Humanidades. “Tivemos dificuldades de mobilização em função do cenário nacional, mas a educação popular, quando cruza com os direitos humanos, é muito importante. É preciso manter o diálogo sobre temáticas como essa”, enfatizou.

Homenagem

Uma vida dedicada aos indígenas, quilombolas, sem terra e campesinato na luta por direitos. Dom Pedro Casaldáliga, bispo e poeta, nasceu na Catalunha, Espanha, em 1928. Da Congregação Claretiana, ele veio para o Brasil em 1968 para assumir a missão de São Félix do Araguaia. Tem posição firme em favor das classes populares e foi autor do documento Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social, no qual denunciava as agressões que indígenas, posseiros e peões das fazendas sofriam. O documento teve repercussão nacional e internacional.

Em homenagem a essa biografia, a exposição em comemoração aos 90 anos de vida do bispo emérito nasceu de uma inspiração e de um diálogo com a vida do religioso, que continua vivendo em São Félix. “Essas fotos da vida de Pedro com dom Tomás e com as entidades dos movimentos sociais simbolizam a luta histórica e a contribuição que tinha e tem oferecido a sociedade, ao povo brasileiro e a tantos países que o bispo visitou nos períodos de Ditadura Militar”, declarou o organizador da exposição e membro da Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra, Paulo César Moreira Santos.

Força coletiva dos organizadores

A roda de conversa integra a programação itinerante da 4ª Semana Dom Tomás Balduino/ Exposição 90 anos de Pedro Casaldáliga e pré-lançamento de O Voo da Primavera, filme de Dogmar Olmo Talga, sobre a trajetória de dom Tomás. O evento iniciou no dia 24 de maio e será encerrado hoje, às 19 horas, na Faculdade de Direito da UFG, com um painel sobre o legado de Pedro Casaldáliga e Tomás Balduino na questão agrária e na promoção dos Direitos Humanos.

Realizam e apoiam o evento, a PUC Goiás, Conferências dos Religiosos do Brasil (CRB), Província Frei Bartolomeu de Las Casas (frades dominicanos), Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil, Circo Lahetô, Comissão Pastoral da Terra, Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Comitê de Direitos Humanos Dom Tomás Balduíno, pastorais sociais e UFG.

Fotos: Wagmar Alves