LETRAS - Graduação
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Discurso de formatura do curso de Letras

 TEMA: MOMENTO DA NOSSA HISTÓRIA, DESAFIOS E ESPERANÇAS DE UM MUNDO MELHOR.

(Acolhida para o público: pais, professores, componentes da mesa......)
É com muita alegria que nos reunimos nesta noite para festejar a tão sonhada conquista de nossa formatura.Sabemos que o diploma, o cruzar a linha de chegada gera momentos de euforia, satisfação inominável, mas acreditamos que este é apenas o começo de uma longa caminhada a ser percorrida, pois, as atividades profissionais, as especializações, os grupos de estudos, certamente nos proporcionarão encontros, desencontros e reencontros no âmbito acadêmico, profissional e pessoal. Assim é a vida, nascemos de um encontro, e de incontáveis encontros e vivencias, vamos participando e celebrando. O importante nessa dinâmica da vida é que levamos marcas que norteiam e estruturam nosso jeito de ser e de viver.
Nosso agradecimento especial à Comissão de Formatura, pelo seu incansável e prestimoso trabalho, sem o qual não seria possível a cerimônia que ora se realiza. Não esqueçamos, também, daqueles que contribuíram para que aqui estivéssemos: nossos familiares, professores, amigos e principalmente a Deus, nossa profunda gratidão.
Nessa nova etapa de nossas vidas, é normal a dúvida; e nos questionamos sobre o que vamos fazer a partir de agora? Concluímos a graduação, o que ficou? O que ensinaremos aos nossos alunos?. As respostas para tais questionamentos são imprescindíveis para continuar a caminhada. Desejamos que cada um encontre sua resposta, refletindo, sobre sua perspectiva de futuro. Esse desejo de descoberta, de realização dos nossos sonhos, deve evidenciar-se na coragem, na força e na segurança para enfrentar dificuldades.
O que somos hoje é, em grande parte, fruto do caminho percorrido durante a graduação. As mudanças são perceptíveis ao longo desses desafiadores e, muitas vezes, dolorosos anos. Somos estudiosos da linguagem, aqueles que aprenderam a lidar com um mundo de palavras. Profissionais que fazem da escrita e da fala seu instrumento de trabalho. Somos, ainda, pesquisadores, questionadores, leitores e professores.
Diante da responsabilidade de nossa profissão, estejamos convictos, de que todas as experiências podem ser proveitosas para enriquecer nosso aprendizado como seres humanos. Certamente, servem como exemplos de ética, presteza, solicitude, compreensão e competência profissional. Conforme reflete Rubem Alves: “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra”.
À medida em que fomos avançando na nossa trajetória universitária, nos fortalecemos, nos conhecemos. A turma do Curso de Letras: Espanhol, Inglês e Português, mostrou-se desde o início de sua caminhada, uma heterogeneidade singular expressa através da harmoniosa divergência de interesses, formação e expectativas quanto ao curso. Compartilharemos um pouco do que foi marcante e característico desta turma:
Havia entre nós professores experientes, alunos recém-saídos do ensino médio, apreciadores das línguas, das culturas e os apaixonados por arte, filosofia e literatura. Alguns destacaram-se como questionadores e motivadores; outros, pela capacidade de expressão, serenidade e diversão, também os notáveis pela organização e pontualidade. Houve aqueles que foram verdadeiros exemplos de dedicação, persistência e liderança. Apesar das diferenças, todos esses personagens protagonizaram e colaboraram para a construção de uma história de desafios, de sonhos, de esperança e de alegrias.
Trazemos na memória colegas, amigos que iniciaram essa caminhada conosco, mas que por algum motivo, não tiveram a oportunidade de concluir o curso. Alguns estão aqui presentes, vivenciando esse momento especial de nossas vidas. Não podemos deixar de mencionar o colega Edmar Ferreira de Almeida Filho (in memorian), que durante algum tempo nos alegrou com sua presença.
Estamos cientes de que diante de obstáculos, a união e uma postura ética são essenciais para atingir nossos objetivos e dar continuidade ao nosso projeto de vida. Trata-se da autonomia desenvolvida ao longo da nossa formação, dos desafios propostos,  da perspectiva de carreira, da responsabilidade pela formação humana, da possibilidade de aprendizado contínuo e respeito à ética profissional.
É essencial trabalhar esses fatores para nossa caminhada, em prol do desenvolvendo de uma aprendizagem e conhecimento que sejam, de fato, posto em prática. Com isso, é necessário o compromisso e responsabilidade para com a profissão professor, para com a comunidade da qual fazemos parte, para com a Universidade que nos preparou para este desafio constante que nos faz sentir como profissionais vencedores e “construtores de pontes” entre o “PENSAR e o FAZER”.
O futuro não se improvisa, ele é o fruto do que construimos hoje. O futuro do trabalho passa pela colocação do ser humano no centro da questão que envolve uma carga de valores e conceitos pessoais, coletivos, políticos e econômicos, por vezes, difíceis de lidar, mas não impossível.
Estamos vivendo uma transformação radical de época. Para dar resposta às questões atuais e futuras é fundamental criar todo um universo de possibilidades no âmbito de nossa formação profissional e humana. Também, identificar nesse contexto as sementes da própria mudança. As respostas não estão no passado, elas precisam ser construídas no agora. É essa identificação que procuramos abordar e transformar em vetor favorável à natureza da vida profissional, que no contexto atual, vem apresentando novos enfoques.
Tudo isso só será alcançado se pudermos lançar um novo olhar sobre a educação, sobre a humanidade e principalmente, sobre nós mesmos. Acreditamos na educação para a vida e para uma sociedade como base de sustentação da humanidade do século XXI. Necessitamos que a educação seja libertadora. Precisamos viabilizar o desenvolvimento da criticidade e do pensamento autônomo. Precisamos humanizar a educação. Acreditamos que o profissional da educação pela sua consciência humana, como a fonte de todo significado e de toda ação, consegue estabelecer pela linguagem e  pelo discurso  a  autonomia do sujeito e de sua consciência que cede lugar a um mundo social constituído na linguagem e pela linguagem.
Somos capazes de produzir conhecimento que ajude a sociedade a pensar e pensar-se. Para isto, é preciso ação prospectiva e continuidade de reflexão. Não somente constituímos um dos mais numerosos grupos profissionais, mas também um dos mais qualificados do ponto de vista acadêmico. Grande parte do potencial cultural, (e mesmo técnico e científico) das sociedades contemporâneas está concentrado nas escolas. Não podemos continuar a desprezá-los e a menorizar as capacidades de desenvolvimento dos professores.
Diante desses desafios, convidamos a todos os professores a tentar compreender seu mundo mais profundamente, racionalizar mais os seus atos; ser mais profundo na sua atitude perante a condição humana. Manter em si mesmo, uma confiança suficientemente grande para considerar qualquer experiência vivida como importante desde que a partir dela se aprenda e se cresça como indivíduo, fazendo-se e definindo-se.
O desafio não é remediar o que não tem conserto, mas buscar novas alternativas. Com o compromisso de colaborar para a construção de uma sociedade melhor, significa aceitar a aventura de evitar um sistema que propague desumanos sofrimentos e gritantes desigualdades sociais. Acreditamos que através dos questionamentos  e projetos que visam tempos mais promissores, seremos capazes  de contribuir para uma nova sociedade, em que as pessoas estejam mais inclinadas para o amor e para a vida.
Somos professores, dentre muitos desafios para nossa prática pedagógica e humana, está, a necessidade de buscar novos valores. Alimentar novas esperanças, novos rumos e novos paradigmas no âmbito educacional, político, social e cultural. A interculturalidade, possibilitou o encontro com outras tradições, outras culturas, enriquecendo a nossa visão do mundo e da vida. Nosso olhar se voltou para os que são diferentes. Aprendemos através da Literatura, a ouvir atentamente a voz de cada personagen em seus diferentes contextos. As suas histórias, canções, sonhos; nos fascinaram, lançando-nos um olhar de curiosidade para com a riqueza das palavras, expressa nos poemas, mitos e romances.
O desafio do tempo presente é o de resgatar as utopias esquecidas, reescrever o nosso sonho, mergulhar nas histórias e delas tirar lições de vida e de esperança. E em meio à agitada rotina da vida moderna, encontrar tempo para refletir sobre a força do diálogo, da verdade, da partilha, da justiça e da felicidade, valores inerentes à pessoa humana.
Ressaltamos, por fim, que é preciso, diante das injustiças e desigualdades sociais que se instalam com mais rapidez em nosso meio, dispor de coragem e autenticidade para fazer a diferença, em prol de um ensino adequado para a constituição de uma sociedade mais digna para todas as pessoas.
Para finalizar, relembremos o que disseram os escritores espanhóis Pedro Salinas: “O homem que não conhece sua língua vive pobremente, vive pela metade... Essa pessoa sofre como se sua dignidade humana fosse rebaixada”. E Federico García Lorca: “Não só de pão vive o homem. Eu, se tivesse fome e estivesse desvalido na rua, não pediria um pão, e sim pediria meio pão e um livro”.
Nós, como profissionais da Educação, mais precisamente do curso de Letras, podemos, se não devemos, colaborar na construção de um ensino que tenha como projeto principal favorecer a compreensão de que a educação deve fazer com que o ser humano viva sua língua de maneira consciente, descobrindo nela todas as suas significações vitais que antes não conseguia perceber.
Precisamos despertar (em nós e no outro) a sensibilidade para o idioma (o nosso e o do outro). Façamos com que a linguagem seja como degraus para alcançarmos o ponto mais alto do espírito humano e do coração. Por isso pedimos as bençãos de Deus e o Dom do discernimento, para que sejamos protagonistas de nossa história e caminhada neste novo milênio. A todos os colegas, professores e familiares, o sincero desejo de que cada adversidade, torne-se um estímulo; cada insucesso, uma lição para a vida; cada vitória, um impulso, para ir mais longe e buscar novos sonhos.
      Girlene Barbosa da Silva

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