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Precursoras das futuras universidades, as academias da Grécia clássica surgem, no século VI a. C., num momento de crise quando se faz a transição do pensamento mítico para o racional e do pensamento solitário para o solidário.

É, também, num momento de transição da humanidade que tem origem a universidade; da etapa dos dogmas e do feudalismo direciona-se ao renascimento do saber, à racionalidade científica e ao capitalismo. Surge como elemento propulsor de novos tempos e novo paradigma, para superar a crise teórica, social e política.

Hoje, novamente num mundo em transformação, a universidade deve criar uma estrutura em que, como propõe Marchetti, se constitua num agente de aceleração do processo global de progresso social da Nação.

Seu papel nesta nova realidade mundial é claramente exposto por Kerr:

Sua realidade básica é o reconhecimento, amplamente divulgado, de que o saber novo é o fator mais importante no crescimento econômico e social. Agora mesmo estamos percebendo que o produto invisível da universidade, o Conhecimento, pode ser o elemento singular de maior poder em nossa cultura, que afeta a ascensão e queda de profissões e até de classes sociais, de regiões e até de nações.

Diante dessa realidade fundamental, a universidade está sendo solicitada a produzir conhecimento como nunca o fora __ com propósitos locais e regionais e, até mesmo, sem nenhum propósito além do de compreender que quase todas as modalidades do saber podem um dia servir à Humanidade. E também está sendo solicitada a transmitir conhecimento a uma parcela sem precedente da população.

A universidade, então, deve colocar-se a serviço da comunidade e também do país como um todo, transmitindo o saber acumulado e o saber construído, oferecendo subsídios ao desenvolvimento tecnológico e promovendo o exercício da reflexão crítica sobre a realidade brasileira.

Maurer, ao analisar a missão social e cultural da universidade, ante a noção de desenvolvimento que norteia a moderna sociedade industrial, chama a atenção para o fato de que à sombra da Revolução Industrial a ordem social de há muito foi suplantada pela ordem econômica.

Isto se deve à noção desvirtuada de desenvolvimento que vem permeando em muitos países: o desenvolvimento visto apenas em seu aspecto econômico e não em sua totalidade, ou seja, em seus aspectos científico, social, tecnológico, artístico, intelectual. Quando isto acontece, os povos em desenvolvimento perdem seu sentido de criatividade e sua cultura se empobrece, pois tendem a copiar modelos econômicos de países desenvolvidos e nem sempre adequados à própria cultura. Concorda-se, então, com Maurer:

... é óbvio que, em uma sociedade intelectualmente adulta, em que a ordem social prevalecesse sobre a ordem econômica, caberia à Universidade por sua natureza e propósito, determinar os rumos do desenvolvimento nos interesses da sociedade integral e do homem sem adjetivação.

Cristovam Buarque complementa:

O desafio das universidades é situar-se portanto no contexto da sociedade brasileira, colaborando na criação de um pensamento capaz de ajudar na construção de uma idéia de nação que conquiste sua soberania, que organize sua sociedade de forma eficiente e que caminhe para a integração de uma crescente igualdade entre seus habitantes.

O diálogo universidade-sociedade se estabelece a partir do momento em que a universidade se confronta com a sociedade e procura responder, em nível científico, aos problemas reais, estruturais, sócio-políticos e culturais (Pegoraro).

Isto se torna possível pelas funções básicas da universidade: a função reprodutiva, em que se transforma em memória, guardiã do conhecimento humano e o transmite à sociedade; e a função transformadora, quando, por meio do saber criado, constitui-se num agente de mudança e motor de aceleração do desenvolvimento.

A universidade é a representação da sociedade que a cerca. E a Universidade Católica de Goiás representa esta sociedade ao concretizar suas opções: a de colocar o saber acumulado e de aplicar o saber produzido, numa ação transformadora da sociedade envolvente.

Ela o faz justamente na globalidade de sua ação educativa, mediante a articulação das dimensões ensino, pesquisa e extensão.

Funções e Objetivos

Uma editora universitária tem as funções e os objetivos da Universidade de que faz parte. A Editora da Universidade Católica de Goiás, criada pela Resolução 1/86  COU de 06/01/86 Processo n. 44/84 VPG, vinculada à Vice-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, articula-se às políticas gerais que norteiam as ações da Instituição. Ela estimula e analisa a produção científica, cultural e tecnológica da UCG, que se faz presente na associação ensino, pesquisa e extensão, desde que este saber produzido ofereça subsídios ao processo de desenvolvimento regional e nacional e introduza novo diálogo acadêmico que tenha por base novos procedimentos didático-pedagógicos.

Cumprindo suas funções ao divulgar o saber acumulado e, sobretudo, o saber produzido, a Editora UCG objetiva uma política de editoração que deverá:

  • incentivar e exigir a qualidade científica de toda obra editorada, dando prioridade à produção ucegeana;

  • demonstrar pluralismo na aceitação de obras de diferentes e, às vezes, conflitantes tendências, respeitando-se a identidade da Universidade;

  • realimentar a dimensão ensino, mediante a divulgação de obras do saber acumulado e do saber construído, com elevado valor cultural, tecnológico e científico;

  • impulsionar o desenvolvimento regional, devolvendo à sociedade a elaboração criativa e divulgando o resultado da produção científica à comunidade regional, estendendo-a em nível nacional e internacional da cultura, ciência e tecnologia;

  • estimular novas linhas editoriais que envolvam trabalhos em equipe __ docentes e discentes __ analisados e endossados por departamentos e áreas de conhecimento;

  • trabalhar com instituições congêneres, integradas na produção e na divulgação das diversas áreas do saber;

  • favorecer meios que viabilizem a divulgação da produção científica, tecnológica e cultural, em consonância com os objetivos da UCG;

  • promover o exercício da reflexão crítica sobre o saber produzido no fórum de debate competente que é a comunidade científica e social;

  • viabilizar projetos que se identifiquem com a dimensão comunitário-filantrópica da UCG.

Ao concretizar estes objetivos, a Editora UCG estará:

  • cumprindo sua função reprodutiva, divulgando o saber acumulado pelo patrimônio cultural da humanidade;

  • efetivando sua função transformadora ao editar o saber construído, constituindo-se em agente de mudança e impulsionando o desenvolvimento;

  • influenciando na modernização do país e aprimorando o exercício da cidadania, ao estimular o pensamento reflexivo e crítico;

  • levando ao público a filosofia da Universidade e sua política editorial moderna, com obras a preços acessíveis;

  • dando continuidade ao processo editorial, ao solidificar e concretizar o objetivo do pesquisador, que é divulgar o resultado de seu trabalho, mediante uma obra de qualidade, em conteúdo e forma;

  • preenchendo, a contento, a lacuna deixada pela editora comercial, ao editar obras específicas e de interesse restrito;

  • enriquecendo seu catálogo editorial, ao ampliar o leque de opções acrescentando autores de renome internacional;

  • indo ao encontro de novos públicos __ infantil e infanto-juvenil __ por intermédio de obras didáticas e paradidáticas vinculadas, de preferência, ao corpo docente da UCG;

  • inserindo-se no mercado editorial com eficiência e rapidez, ao estabelecer um sistema de marketing que favoreça a divulgação e a comercialização da obra editada;

  • tornando-se auto-suficiente, o que virá propiciar maior difusão do saber;

  • buscando articular a dimensão comunitário-filantrópica, que pode representar um ônus, com operações e atividades editoriais auto-sustentáveis.