Goiânia, 22 de outubro de 2014
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Água
Escassez e desperdício são os vilões da falta d’água no Brasil

27/08/2008 11:59:23

O maior problema da água no Brasil é o péssimo uso que se faz dela, graças a uma rede de distribuição avariada, obsoleta e insuficiente para atender a população; a falta de investimentos é visível. Uma média de 40% de toda a água encanada se perde ao mesmo tempo em que as empresas fazem campanhas na TV para que se faça economia no consumo da mesma. Onde sobram rios é preciso racionar o uso, como é o caso de Manaus, que chega a fazer rodízio de abastecimento nos bairros.  

 

São Paulo conseguiu poluir os dois principais rios do Estado, o Pinheiros e o Tietê, com descargas constantes de dejetos industriais e despejos de esgotos domésticos. Hoje, os rios não conseguem produzir nem metade da água que a cidade precisa, e a estação de abastecimento precisa buscá-la a cem quilômetros de distância, na bacia do rio Piracicaba. 

 

Diminuir o consumo e melhorar a distribuição são os grandes desafios para reverter o quadro. O Brasil é o retrato da desigualdade e desperdício; o país detém 16% da água doce do mundo, como também o maior aqüífero subterrâneo, o maior rio, além de índices recordes de chuvas e, mesmo assim, falta água nos grandes centros urbanos. O que não acontece na região Norte do país, onde vive menos de 10% da população e que detém cerca de 70% da reserva brasileira de água. 

 

Para lutar contra escassez, a ONU instituiu que entre 2005 e 2015, viveremos a Década Internacional da Água pela Vida.  A campanha objetiva organizar líderes mundiais para diminuir pela metade a população sem acesso à água potável e saneamento básico. Condições mínimas que todo ser humano deveria ter por direito.   
 

 

Para o Banco Mundial, uma das formas de combater o mau uso da água é tratá-la como mercadoria, com preço de mercado, mantendo a lei da oferta e da procura. E a idéia já foi implantada em alguns países europeus e estados norte-americanos.  

 

 

Água: indústria que gera cada vez mais lucros 

Em 2005, considerando empresas públicas e privadas, a indústria de abastecimento de água já movimentava 400 bilhões de dólares no mundo. O montante é 30% maior do que o que movimenta o setor farmacêutico. As vendas de água engarrafada crescem 20% anualmente. O Canadá a exporta em navios para EUA e México. Ainda no mesmo ano, apenas 5% do saneamento no mundo era feito por empresas privadas, uma nova promessa de lucros exorbitantes. 

 

Retirar água de um ponto para abastecer outro é uma prática muito comum no Brasil, engloba projetos imensos, como o da transposição do rio São Francisco. Ao contrário da muitos países, que disputam litro a litro as mesmas fontes.  

 

Segundo a ONU, existem 261 bacias hidrográficas transnacionais, compartilhadas por 145 nações. Dominar a água é motivo de guerras desde a antiguidade e em 2005 respondia por 300 conflitos em todo o mundo, muitos com uso de força militar.  
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